quarta-feira, junho 21, 2006

Sugestão para as férias que teimam em chegar...

... na minha viagem de Finalistas, fomos a Los Roques (Venezuela), éramos 6: 3 rapazes (todos do signo aquário) e 3 raparigas (todas do elemento fogo: uma leão, uma sagitário e uma carneiro). Foi a viagem ideal para quem estava prestes a acabar o curso de Biologia Marinha e Pescas... estivemos mesmo em contacto com a natureza, fizemos cerca de 2-3 snorkelings diários, fomos a uma Estação de Biologia Marinha numa ilha perdida no nada, dormimos na Pousada mais barata da ilha que era uma casa de pescadores fantásticos, fomos o sucesso dos miúdos da rua... auto-denominamo-nos de Cretinos porque fizemos asneiras completamente hilárias: saídas de mar com um tempo mau e houve enjôs à mistura, compramos água fora de prazo e bananas completamente verdes, houve "alguém" ;) que cortou os dois pés... enfim, foi inesquecível!
Toda esta nostalgia surgiu porque recebi um artigo da "Rotas do Mundo" a falar da Venezuela. Aconselho uma viagem a este Parque Natural... espero que fiquem com água na boca :)
Como ser um explorador
"Viajando num avião de seis lugares e numa canoa a motor, deixamos Caracas para trás e descobrimos a floresta virgem da Venezuela, as planícies majestosas de Los Llanos e talvez as mais belas ilhas do Caribe.
(...) a nossa próxima e última paragem: o Parque Nacional Los Roques, uma cadeia remota de ilhéus caribenhos que acabariam por ser as jóias da coroa do nosso safari voador.
A visão aérea do arquipélago era deliciosa: atóis espalhados, orlados por bancos de areia branca e costelas de coral escuras a marcarem a divisão entre o azul-cobalto do oceano e o azul mais quente e claro das lagoas superficiais. Uma combinação de legislação ambiental e circunstância geográfica (Los Roques é longe de tudo) faz com que os 2200 km2 do parque nacional, resguardados por destroços de navios e recifes de coral, formem um refúgio para a vida marinha com poucos rivais nas Caraíbas.
As jóias da coroa
Até há poucos anos, Los Roques era um posto avançado solitário de pescadores e piratas, praticamente deserto fora da época da pesca da lagosta. Continua a ter apenas mil habitantes e é pouco provável que cresça muito mais, porque a legislação que governa o parque nacional limita o desenvolvimento de qualquer tipo. Só a ilha de Gran Roque tem um povoado com alguma importância: uma colecção de casas de pescadores de baixa estatura pintadas com cores vivas, ao clássico estilo caribenho, 72 delas convertidas em pequenas posadas, ou casas de hóspedes. Ficámos na Posada Malibú, o mais confortável e chique dos novos espaços de alojamento, com vigas e ventoinhas no tecto, excelente comida italiana e uma decoração marítima funky.
A expressão “descontraído” não faz justiça ao estilo de vida roqueño. Na Oscar’s Store, uma choupana junto à pequena pista de aviação que vende itens essenciais para a vida no arquipélago, como protector solar, câmaras fotografias subaquáticas e água mineral, comprei um “mapa das estradas” que não era nada do género, uma vez que não existem estradas em Los Roques e apenas dois veículos motorizados – o carro do lixo e o camião da água. Raramente se calçam sapatos nas ruas arenosas da minúscula capital das ilhas, existe um banco, uma escola e uma igreja, e a sociedade roqueña é, no mínimo, fechada. “Se cortar o dedo, toda a gente vai saber. E se dançar com alguém numa festa, isso será o tema de conversa da cidade na manhã seguinte”, disse-me uma rapariga com um sorriso.
As ilhas estão simples, impressionante e inacreditavelmente intactas. Os roqueños vivem sob o compreensível terror de um serviço de ferry vindo do continente e de um voo com horários regulares com uma tarifa mais barata do que os 150 dólares que costumam ser cobrados por um voo de ida, pois essas novidades dariam certamente início ao lento, mas garantido, processo de destruição. “Seria o fim de tudo. Não podemos suportar mais desenvolvimento – isso é evidente”, declarou Anna Putzolu, membro da considerável comunidade italiana, atraída para o local por uma vida de praia boémia que está quase extinta no Mediterrâneo. Os italianos estiveram por trás da “descoberta” de Los Roques há pouco mais de 15 anos, quando apenas alguns poucos habitantes de Caracas endinheirados com aviões privados conheciam o segredo. Actualmente, um quarto das posadas de Gran Roque é de proprietários italianos, todas as lojas de esquina vendem massa e azeite, e “ciao, bella” faz parte da gíria local.
Poucos minutos depois de aterrarmos e de pagarmos os nossos 25 mil bolívares (cerca de €9) pelo privilégio de visitar o parque, Anna levou-nos para o Houat, um iate de 15 metros com três tripulantes, onde foram servidas caipirinhas enquanto o cozinheiro preparava um almoço ligeiro de ceviche de robalo, massa com molho de lagosta e vinho branco chileno fresco. Depois, a nossa anfitriã pôs a tocar um dos CDs da colecção do Café del Mar e do Buddha Bar do iate (se estas ilhas tiverem uma banda sonora, tem de ser música chill out das Baleares) e estava preparado o ambiente para uma tarde de dolce far niente.
As velas começaram a ranger quando a brisa levantou e partimos para explorar as ilhas. Havia qualquer coisa para fazer em todos os sítios onde fundeávamos, desde pescar estrelas-do-mar em Rabusqui a alimentar tartarugas em Noronqui e examinar os ninhos dos pelicanos no meio dos mangues de Isla Larga. Numa ilhota sem nome saciei brevemente a minha fantasia de Robinson Crusoe, apanhando rochas de coral num sítio onde lagartos negros corriam apressadamente entre a escassa vegetação e construindo esculturas com curiosos destroços de navios. Coberto de água balsâmica até à cintura, apanhei conchas-rainha vivas com bordas rosa-vivo e laranja, e pepinos-do-mar da grossura do meu braço. As cores do mar eram tão belas e fascinantes que faziam o céu parecer entediante e deprimente. Da linha da costa até ao mar aberto, a água percorria a gama de azuis, de guarda-rios a lápis lazúli, de Yves Klein a David Hockney e do lavanda delicado do ovo de uma ave à vítrea água-marinha dos frascos de perfume dos museus clássicos.
Doce ilusão
Tínhamos visto muitas maravilhas na nossa viagem pela Venezuela, mas este local vencia tudo e todos. Entre os momentos memoráveis da nossa odisseia insular de três dias houve um festim de lagosta acabada de pescar numa choupana à beira da praia na ilha de Crasqui – deserta para além da nossa presença. A sala de jantar era o sonho de um estilista: prestes a ruir, caótica, colorida e completamente caribenha, com tudo alegremente mal combinado, copos de Duralex, flores de plástico na mesa, areia no chão e crianças bronzeadas a correrem à solta.
Outro foi a nossa visita, mais tarde nesse mesmo dia, a uma casa solitária construída sobre estacas no meio de uma lagoa luminosa. El Palafito encontrava-se um passo mais próximo do idílio primordial, do Éden original. Aqui, numa residência feita de destroços de madeira e ferro enrugado pintado de azul e verde desbotado, um pescador de lagostas e a sua família viviam na mais absoluta simplicidade e solidão. Demos doces da nossa merenda de piquenique às crianças em troca de uma visita guiada ao seu pequeno e perfeito mundo, enquanto os seus pais dormiam em redes à sombra. Um passeio na água rasa, por entre um leito marinho cor de creme povoado por estrelas-do-mar cor-de-laranja gigantes, levou-nos até uma pilha de conchas vazias, uma ilha cor-de-rosa que emergia por entre o azul. No topo, alguém colocara um sinal em madeira desbotada pelo Sol, no qual mal se distinguiam as palavras “El Jardín” (o jardim).
Los Roques é um canto do mundo tão delicioso que deixá-lo antes de se estar preparado induz um estado de tristeza e melancolia. Admirando o seu quadro de ilhas e o oceano enquanto o avião virava para Sul, em direcção ao continente, era fácil cair na agradável ilusão de não existir aquecimento global, população em excesso, animais em perigo de extinção ou habitats poluídos; o mundo encontrava-se no seu começo inocente, Deus estava no céu e tudo estava bem. Até tocarmos na pista de tarmac, em Caracas. (...)"
Rotas do Mundo
Para lerem o artigo todo, espreitem aqui

3 Comments:

Blogger arte-i-factos tem a dizer o seguinte...

olá "cretina" :) como estás?!
co foram as mini-férias?! e o voluntariado no sábado?
por aqui são estudos e estudos, amanhã é o primeiro de 5.
bjocas

9:10 da tarde  
Blogger Floppy tem a dizer o seguinte...

Foi bom, mto descanso!
Espero que hoje seja o começo de algo que te corra MUITO bem :)
Beijitos

8:21 da manhã  
Anonymous José Rodrigues tem a dizer o seguinte...

Los Roques?

Já la fui duas vezes... e espero ir mais! Não existe nada igual!

Podem espreitar um minivideo que fiz em:

www.segredosdapluma.com/losroques.wmv

2:54 da tarde  

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